‘Tampatas’ tem mais de 200 pontos de coleta e já arrecadou mais de 20 toneladas de tampas de plástico.

O projeto ‘Tampatas’, idealizado pela aposentada Regina Célia Menezes, arrecada tampas de plástico para castrar cães e gatos que vivem nas ruas, em Goiás. Ela explica que a castração dos animais diminui riscos de doenças, além de fazer o controle populacional dos que estão em situação de vulnerabilidade.

“Ver o mundo melhor e fazer o que está ao meu alcance me motivam. Sou apaixonada pelos animais e pela natureza. Os animais não têm voz, e transformar o lixo em amor, tanto para o meio ambiente quanto para os animais, vale muito a pena”, diz Regina.

O Projeto Tampatas começou em outubro de 2018 e já arrecadou 20 toneladas de tampas de plástico. Mais de 220 animais foram castrados e 80 estão na lista de espera.

“Juntos, a gente muda o mundo, e de tampinha em tampinha, a gente ajuda tanto o meio ambiente quanto os animais”, afirma Regina.

Os interessados podem depositar as tampas em mais de 200 pontos de coleta em Quirinópolis, Mineiros, Goianira, Pires do Rio, Inhumas e Goiânia. Confira todos os pontos de coleta na rede social do projeto.

O projeto recebe tampas de plástico como de embalagens alimentícias, como potes de sorvete e garrafa de refrigerante, de embalagens de produtos de limpeza, como alvejante ou amaciantes.

Segundo a idealizadora, as tampas arrecadadas são vendidas para cooperativas de reciclagem, e o dinheiro é revertido na castração dos animais de rua.

“Para castrar um gato é necessário 120 kg de tampinhas, já para um cachorro é o dobro. As tampas plásticas que iriam para o lixo vão para a reciclagem e, além de ajudar os animais e o meio ambiente, ainda movimenta a economia das cooperativas e de famílias que vivem delas”, afirma Regina.

Castração

Segundo levantamento do Instituto Pet Brasil (IPB), divulgado em 2019, a maior população de animais domésticos no Brasil é formada por cães e gatos. São mais de 54 milhões de cachorros e quase 24 milhões de gatos, um total de 78,1 milhões de animais.

Para manter a saúde dos pets em dia, umas das principais orientações dos especialistas é a castração. O médico veterinário Marcelo Borba conta que a castração diminui em até 90% o risco de desenvolvimento de doenças como tumores e infecções, tanto em machos quanto em fêmeas.

“Uma gata fêmea pode gerar até 20 filhotes em um ano, e aquelas que estão em situação de rua não recebem cuidados adequados. Sua saúde acaba sendo prejudicada podendo até morrer”, esclarece o veterinário.

Regina Célia explica que, para castrar um animal, é necessário que ele esteja em situação de rua e que tenha sido acolhido por alguém da região em que ele mora. Diante disso, a pessoa preenche um formulário cedido pelo projeto, conta a história do animal e a situação que foi encontrado.

Feito isso, o animal é encaminhado para uma clínica veterinária, passa por exames de sangue e, se aprovado, ele é castrado. O pós-operatório será feito pelo ‘acolhedor provisório’ do animal, ou seja, a pessoa que o acolheu.

Segundo ela, depois do pós-operatório, o animal será encaminhado pelos colaboradores do projeto para a adoção.